5.14.2006

o quinto império

impulso de subirmos a todos os telhados de Lisboa

mas na verdade cairmos aos esgotos por baixo da cidade

erigiremos torres de aço e vidro que recortarão a silhueta à beira-rio

para depois nos ferirmos na aspereza do alcatrão e do sol.

numa trajectória paradoxal e destrutiva

ratificaremos o nosso império de nadas

onde as portas que abrirmos irão estar muradas.

riremos nos espinhos da inveja e no fel do ciúme

mas secretamente regozijar-nos-emos na mesquinhez

fascinados pela refulgência fátua do ego.

e à noite nossos corpos entorpecidos de anestésicos

iniciaremos a sedição com cravos e canapés

e dançaremos até de madrugada

ao despertar do Tejo em dourados e carmins.

1 Comments:

Blogger Viviana said...

Nada como as analogias de nós mesmos!

Adorei o ritmo, o over, a libido, o astral!

Voltarei mais vezes, para deleite meu!

Bjs

11:35:00 AM  

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