4.23.2006

o sangue espesso escorre...

o sangue espesso escorre para a fina areia
formando uma papa escura nesta praia que não é minha
o mar lambe-me os pés e eu alimento-o de lágrimas
este sangue lusitano de uma pátria que não é minha
sou poeta soldado que pilho metro, sílaba e sintaxe
de uma língua traiçoeira que não é minha
desta ocidental praia saí num sangrar constante
infectado por um veneno lusitano chamado saudade
e de saudade marquei uma cicatriz na minha alma
por cada terra onde passei e me vi português

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